exposições

Desenho e Design - Almicar de Castro e Willys de Castro

07/05/2009 - 27/09/2009

Quando abrimos um jornal diagramado por Amilcar, a plenitude de uma experiência de leitura se comunica antes mesmo que leiamos uma linha. A página faz sentido porque ali tudo é significativo, inclusive os espaços brancos, e isso nos proporciona a impressão de que, através daquele bombardeio de notícias, nós possamos interpretar o mundo. Se recebermos um convite diagramado por Willys, a experiência estética já começou, porque o cartão que temos em mãos nos leva a uma série de escolhas perceptivas mais complexas e intensas do que na vida comum. Na frente de um convite de Willys, como na frente de uma obra sua, nos sentimos um pouco mais inteligentes.

Pelo caráter afirmativo de sua presença, o jornal de Amilcar já é um fato, e não a imagem ou a descrição de um fato. Pela maneira dubitativa com que se insere no mundo, a peça gráfica de Willys não é apenas produto de um pensamento, mas pensamento em ato, tanto nosso quanto dele. Nos dois casos, não se trata de conferir à peça gráfica um estatuto de obra de arte (isso ainda seria uma maneira de escamotear o problema), mas de conferir ao objeto de uso, além de uma perfeita funcionalidade, a espessura e a abertura estética que uma fruição sempre mais acelerada tende a cancelar.

Lorenzo Mammi - curador



curadoria

Lorenzo Mammì